Lula diz que minerais críticos podem ampliar soberania financeira do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os minerais críticos podem ampliar a soberania financeira, tecnológica e produtiva do Brasil. A declaração foi feita durante reunião realizada nesta sexta-feira, 10 de julho, para discutir a estratégia do governo federal para o setor.
Segundo Lula, o país precisa definir como pretende atuar diante de materiais considerados estratégicos para cadeias industriais de alto valor agregado, especialmente em áreas ligadas à transição energética, tecnologia, defesa, baterias e inovação.
“Nós precisamos tomar uma decisão sobre o que o governo vai fazer com esse material estratégico, que pode dar ao Brasil não apenas a soberania do minério, mas também soberania financeira, tecnológica e de conhecimento em uma área na qual a gente já sabe o que fazer”, declarou o presidente.
A fala foi divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). Durante o encontro, Lula afirmou que o Brasil tem condições de desenvolver conhecimento próprio e reduzir a dependência externa em setores considerados essenciais.
Recado aos Estados Unidos e à China
No discurso, Lula também fez menções ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à posição da China no domínio de tecnologias ligadas aos minerais críticos.
Segundo o presidente brasileiro, Trump teria preocupação com o avanço chinês no setor e deveria observar também o potencial do Brasil.
“Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a ficar preocupado com o Brasil, porque nós vamos ter condições de fazer as mesmas coisas, ou até mais qualificadas, do que os chineses fazem”, afirmou.
Lula disse ainda que imaginava que o Brasil estivesse atrasado no debate sobre minerais críticos, mas que a reunião mostrou capacidade técnica e conhecimento acumulado no país.
Presidente critica dependência externa
Ao comentar a posição brasileira no comércio internacional, Lula afirmou que parte da elite econômica é “muito americanizada”, embora setores estratégicos do país dependam fortemente de outras nações.
“A elite é muito americanizada, mas a agricultura depende do fertilizante russo, e o comprador depende do povo chinês. Então, a gente compra fertilizante da Rússia. O minério de ferro também não são os Estados Unidos que compram, é a China”, disse.
A declaração foi usada pelo presidente para defender uma política industrial e mineral que amplie a autonomia do Brasil. Para ele, o país não deve se limitar à extração e exportação de matéria-prima, mas avançar na produção de tecnologia e conhecimento.
Estado deve financiar inovação, diz Lula
Lula também defendeu maior participação do Estado no desenvolvimento de setores estratégicos. Segundo ele, grandes avanços tecnológicos ao longo da história, como os ligados à indústria do petróleo, contaram com financiamento público e planejamento estatal.
Nesse contexto, o presidente cobrou participação da Petrobras em iniciativas de inovação. Para Lula, a estatal deve ter papel ativo no financiamento de pesquisas e projetos capazes de transformar recursos naturais em produtos de maior valor agregado.
A discussão sobre minerais críticos ganhou força no governo por envolver áreas consideradas fundamentais para o futuro econômico do país. A estratégia defendida pelo presidente busca evitar que o Brasil apenas exporte recursos brutos e perca espaço nas etapas mais lucrativas da cadeia produtiva.
Fonte : jornaldoestadoms





