Política

Escolha de Contar para o Senado expõe divisão interna no PL de Mato Grosso do Sul

A confirmação de Capitão Contar (PL) como segundo pré-candidato do partido ao Senado por Mato Grosso do Sul abriu uma nova crise interna no PL estadual. A decisão, anunciada pela direção nacional da legenda, não foi reconhecida pelo deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), que ainda tenta permanecer na disputa pela vaga.

Segundo informações apuradas pelo Correio do Estado, Pollon acredita que uma articulação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro possa alterar o cenário definido pela cúpula partidária. O deputado teria dito a interlocutores próximos que espera uma intervenção política para anular a escolha anunciada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em Brasília (DF).

A resistência de Pollon ocorre após a executiva nacional confirmar Capitão Contar como companheiro de chapa do ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL, na disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026. A escolha teria sido baseada em pesquisas de intenção de voto encomendadas pelo diretório estadual e pela direção nacional.

Pollon, no entanto, avalia que Bolsonaro poderia rever a decisão para evitar o que aliados do parlamentar consideram uma repetição de erro estratégico. O grupo faz referência ao apoio dado pelo ex-presidente, nas eleições municipais de 2024, à candidatura de Beto Pereira à Prefeitura de Campo Grande, disputa em que o candidato acabou derrotado.

Ainda conforme apuração, o deputado federal pretende pedir autorização ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para se reunir pessoalmente com Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. A intenção seria apresentar argumentos para manter seu nome na disputa interna pela segunda vaga ao Senado.

O impasse em Mato Grosso do Sul reflete uma divisão mais ampla dentro do PL nacional. Nos últimos dias, Michelle Bolsonaro demonstrou insatisfação com decisões da cúpula da legenda, entre elas a sinalização de apoio ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, movimento anunciado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

Procurado, Marcos Pollon afirmou que irá se manifestar “no momento oportuno”. Já Valdemar Costa Neto declarou, em vídeo divulgado após reunião com lideranças nacionais do partido, que Capitão Contar terá apoio integral da sigla. “Vai ter o nosso apoio, tem o apoio de todo o partido”, disse.

A reunião em Brasília contou com a presença de nomes da direção nacional, entre eles os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Luciano Zucco (PL-RS). Após o encontro, Capitão Contar comemorou a definição e afirmou que os próximos passos serão o lançamento oficial da pré-candidatura e a convenção partidária que deverá homologar a chapa.

Segundo Reinaldo Azambuja, a decisão seguiu acordo firmado anteriormente pela executiva nacional, que previa a escolha do segundo nome com base em levantamentos eleitorais. O diretório estadual contratou o instituto Quaest, enquanto a direção nacional encomendou pesquisa ao Paraná Pesquisas.

De acordo com as informações apuradas, os dois levantamentos indicaram desempenho superior de Capitão Contar em relação a Marcos Pollon, cenário semelhante ao apontado pela pesquisa IPR/Correio do Estado. Com isso, a executiva nacional decidiu oficializar Contar como segundo pré-candidato do PL ao Senado.

A disputa ainda pode gerar novos desdobramentos dentro da legenda em Mato Grosso do Sul. Embora a direção nacional tenha anunciado a escolha, a resistência de Pollon mantém o ambiente político tensionado e pode influenciar a organização da pré-campanha do PL no Estado.

Fonte : jornaldoestadoms

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